Ainda
em fase de recuperação nas terras lusas, o humorista Kotingo cedeu a sua
primeira entrevista, após o acidente de viação que parou Angola, a uma edição
especial do programa Conversas ao Sul, conduzida por David Dias, em que contou
detalhes do começo da sua carreira, bem como tudo o que aconteceu antes e
depois do trágico acidente que mudou a sua vida.
“Desde pequeno e até agora, sempre sonhei em ser um
empreendedor, porque via o meu pai a lidar com negócios. Ser humorista nunca
fez parte dos meus sonhos, nem sequer conhecia uma profissão humorística.
Surgiu-me um convite para apresentar um show do grupo Tuneza. Na altura, o
Sílvio falou comigo e respondi que não era humorista nem apresentador,
simplesmente não aceitei. Porém, depois algumas dificuldades fizeram-me aceitar
o convite, mas o meu foco era somente receber o dinheiro para ajudar a minha
mãe e os meus irmãos. Não fiz por amor, contudo, depois da apresentação, gostei
e o público também gostou, recebi elogias e algumas críticas”, contou.
O humorista continuou dizendo que, para se tornar conhecido não
somente na cidade das Acácias Rubras (Benguela), sua terra natal, viu-se
obrigado a abraçar outros desafios em Luanda, o que não foi fácil. Kotingo
falou também sobre a sua relação de amizade e companheirismo com o seu irmão.
“O Gerilson está num caminho muito bom. Eu tenho lhe dito que o mundo da fama
nos cega de muitas coisas. Ter um irmão neste caminho é motivo de orgulho para
mim, porque eu lutei muito. Nunca imaginei e nunca me passou pela cabeça que um
dia o Gerilson chegaria ao Top dos Mais Queridos com a música ʽMinha bêbadaʼ.”
Sobre o acidente, o humorista explicou que, no momento do
sucedido, passava um camião que preencheu quase toda a circulação rodoviária,
deixando um espaço muito pequeno para a viatura em que se encontravam “Se a Ana
insistisse em ficar ai, o camião matava-nos a todos. Já no hospital, quando
acordei, isto em menos de 24 horas, sem saber o que se passava, comecei a puxar
todos os equipamentos que me tinham sido colocado. Mas, depois entrou uma
enfermeira no quarto e pediu-me para ter calma e contou tudo o que tinha
acontecido. Foi muito duro; parti o maxilar, o nariz, o braço direito em três
partes e a rótula saiu do lugar. Quando vou para a penúltima cirurgia,
perguntei à doutora se teriam chances de salvar o meu braço e ela respondeu: ʽfilho,
quando vieste, eu tinha cem por cento a certeza de que íamos salvar o teu braço, mas
agora a única coisa que te posso
garantir é que, se calhar, podemos
ter o teu braço, porém não será a sessenta por centoʼ.”
Após uma conversa com a Ana, pensei e entre ter um braço quase
sem movimentos e ser amputado, preferi ser amputado e usar uma prótese que me
dê movimento que estejam acima dos sessenta por cento, porque eu sentia muitas
dores. Por aquelas dores eu entregava os meus filhos, coisa que mais amo na
vida. Eu luto por causa dos meus filhos, eu sobrevivi por causa dos meus
filhos, Tudo o que suportei foi pelos meus filhos”.


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