Hoje celebra-se em todo o país o dia
em que patriotas angolanos iniciou da luta armada de libertação nacional, com
ataques, em Luanda, às cadeias de São Paulo e da Casa de Reclusão, que culminou
com a proclamação da Independência Nacional, em 11 de Novembro de 1975.
O 4 de Fevereiro foi
a continuação de actos de heroicidade protagonizados por figuras da nossa
História, como Katiavala, Ngola Kiluange, Njinga Mbandi ou Ekuikui. Foram
séculos de humilhação que levaram homens e mulheres a actuarem, de forma
organizada e de armas na mão, a maioria rudimentares, contra a ocupação
estrangeira.
África vivia os primórdios das independências nacionais e o 4 de Fevereiro em Angola serviu para atear, ainda mais, a fogueira da liberdade, que já existia, feita pela luta política na clandestinidade, a que não era alheia o exemplo de resistência organizada de outros povos contra regimes ditatoriais.
O 4 de Fevereiro de 1961 aconteceu naquela data pela conjugação de vários factores, entre os quais se conta o desvio do paquete Santa Maria por um punhado de patriotas portugueses e espanhóis comandados pelo capitão Henrique Galvão, que o pretendia trazer para Angola, na esperança de aqui encontrar apoios, que o ajudassem a derrubar a ditadura de Salazar.
Várias circunstâncias fizeram com que o plano abortasse e que Galvão desviasse a rota do navio para o Brasil, mas nessa altura já estavam em Luanda enviados especiais da maioria dos mais conhecidos órgãos ocidentais de comunicação social.
Face à nova situação, nacionalistas angolanos entenderam chegada a hora de dar a conhecer ao mundo a violência salazarista na então colónia e decidiram atacar cadeias em Luanda onde se encontravam presos homens, cujo único crime foi sonharem com uma pátria livre das amarras coloniais e fascistas.
Com catanas, paus e pouquíssimas armas de fogo conseguidas dias antes numa emboscada a uma patrulha da polícia colonial, os heróis do 4 de Fevereiro, após atravessarem Luanda, praticamente de uma ponta à outra sem molestarem um único civil, chegaram à praia da Rotunda, na Boavista, e atacaram a Casa da Reclusão. Não houve libertação de presos, porque as forças coloniais que defendiam a fortaleza eram em maior número e melhor armadas, mas o grito de revolta ecoou pelo mundo transmitido pelos telexes e pelas emissoras de rádio. Salazar não podia continuar a apregoar o “Portugal uno e indivisível, de Minho a Timor”. A máscara tinha-lhe sido arrancada pela heroicidade daqueles patriotas, que não hesitaram em colocar os interesses de Angola acima das próprias vidas.
O acto heróico, além de dar a conhecer ao mundo o que se passava em Angola, serviu também para fazer com que outros nacionalistas se empenhassem na luta de libertação, uns a optarem por continuarem na mata a luta armada de libertação nacional, outros, dentro do país, na clandestinidade, em acções de sabotagem e de apoio aos que na frente de batalha enfrentavam o inimigo.
Imediatamente a seguir ao ataque à Casa da Reclusão aumentou a repressão colonial. Grupos de colonialistas civis armados, por iniciativa própria, ao cair da tarde faziam rusgas nos subúrbios, prendiam e matavam indiscriminadamente homens e mulheres que se atreviam a circular pelas ruas, mesmo que viessem do trabalho. Algum tempo depois surgiu a grande insurreição popular, no Norte de Angola. Salazar não demorou a lançar o patético apelo “ Para Angola depressa e em força”. De nada lhe valeu. À semente da revolta juntou-se o sonho de liberdade e havia cada vez mais angolanos a aderir aos ideais nacionalistas e independentistas. Operários, camponeses, intelectuais, homens e mulheres de vários estratos sociais e ideologias esqueceram diferenças e empunharam a mesma bandeira.
A luta contra o opressor colonialista, das mais longas de África, durou 14 anos, recheados de actos de heroicidade. Mas os mesmos interesses que ajudaram o regime fascista português a manter-se em África, depois disso continuaram a impedir que os angolanos desfrutassem da paz e obrigaram-nos, quase durante duas décadas, a continuar de armas na mãos a defender a integridade territorial e a soberania nacional.
Hoje, finalmente em paz, Angola está empenhada noutra luta, a do progresso e do bem-estar do povo, mas continua a dar diariamente ao mundo provas da determinação dos angolanos, que, sem esquecer, sabem perdoar.
Hoje, volvidos 51 anos sobre o início da luta armada de libertação nacional, é bom recordar os feitos dos heróis do 4 de Fevereiro e fazer com que a data nunca venha a ser comemorada apenas como mais um feriado para cumprir calendário. É importante que os jovens de amanhã conheçam a verdadeira História de Angola e que os “homens e mulheres das catanas” que escreveram um dos seus mais belos e importantes capítulos, sejam recordados como aqueles que abriram as portas da liberdade e da independência.
África vivia os primórdios das independências nacionais e o 4 de Fevereiro em Angola serviu para atear, ainda mais, a fogueira da liberdade, que já existia, feita pela luta política na clandestinidade, a que não era alheia o exemplo de resistência organizada de outros povos contra regimes ditatoriais.
O 4 de Fevereiro de 1961 aconteceu naquela data pela conjugação de vários factores, entre os quais se conta o desvio do paquete Santa Maria por um punhado de patriotas portugueses e espanhóis comandados pelo capitão Henrique Galvão, que o pretendia trazer para Angola, na esperança de aqui encontrar apoios, que o ajudassem a derrubar a ditadura de Salazar.
Várias circunstâncias fizeram com que o plano abortasse e que Galvão desviasse a rota do navio para o Brasil, mas nessa altura já estavam em Luanda enviados especiais da maioria dos mais conhecidos órgãos ocidentais de comunicação social.
Face à nova situação, nacionalistas angolanos entenderam chegada a hora de dar a conhecer ao mundo a violência salazarista na então colónia e decidiram atacar cadeias em Luanda onde se encontravam presos homens, cujo único crime foi sonharem com uma pátria livre das amarras coloniais e fascistas.
Com catanas, paus e pouquíssimas armas de fogo conseguidas dias antes numa emboscada a uma patrulha da polícia colonial, os heróis do 4 de Fevereiro, após atravessarem Luanda, praticamente de uma ponta à outra sem molestarem um único civil, chegaram à praia da Rotunda, na Boavista, e atacaram a Casa da Reclusão. Não houve libertação de presos, porque as forças coloniais que defendiam a fortaleza eram em maior número e melhor armadas, mas o grito de revolta ecoou pelo mundo transmitido pelos telexes e pelas emissoras de rádio. Salazar não podia continuar a apregoar o “Portugal uno e indivisível, de Minho a Timor”. A máscara tinha-lhe sido arrancada pela heroicidade daqueles patriotas, que não hesitaram em colocar os interesses de Angola acima das próprias vidas.
O acto heróico, além de dar a conhecer ao mundo o que se passava em Angola, serviu também para fazer com que outros nacionalistas se empenhassem na luta de libertação, uns a optarem por continuarem na mata a luta armada de libertação nacional, outros, dentro do país, na clandestinidade, em acções de sabotagem e de apoio aos que na frente de batalha enfrentavam o inimigo.
Imediatamente a seguir ao ataque à Casa da Reclusão aumentou a repressão colonial. Grupos de colonialistas civis armados, por iniciativa própria, ao cair da tarde faziam rusgas nos subúrbios, prendiam e matavam indiscriminadamente homens e mulheres que se atreviam a circular pelas ruas, mesmo que viessem do trabalho. Algum tempo depois surgiu a grande insurreição popular, no Norte de Angola. Salazar não demorou a lançar o patético apelo “ Para Angola depressa e em força”. De nada lhe valeu. À semente da revolta juntou-se o sonho de liberdade e havia cada vez mais angolanos a aderir aos ideais nacionalistas e independentistas. Operários, camponeses, intelectuais, homens e mulheres de vários estratos sociais e ideologias esqueceram diferenças e empunharam a mesma bandeira.
A luta contra o opressor colonialista, das mais longas de África, durou 14 anos, recheados de actos de heroicidade. Mas os mesmos interesses que ajudaram o regime fascista português a manter-se em África, depois disso continuaram a impedir que os angolanos desfrutassem da paz e obrigaram-nos, quase durante duas décadas, a continuar de armas na mãos a defender a integridade territorial e a soberania nacional.
Hoje, finalmente em paz, Angola está empenhada noutra luta, a do progresso e do bem-estar do povo, mas continua a dar diariamente ao mundo provas da determinação dos angolanos, que, sem esquecer, sabem perdoar.
Hoje, volvidos 51 anos sobre o início da luta armada de libertação nacional, é bom recordar os feitos dos heróis do 4 de Fevereiro e fazer com que a data nunca venha a ser comemorada apenas como mais um feriado para cumprir calendário. É importante que os jovens de amanhã conheçam a verdadeira História de Angola e que os “homens e mulheres das catanas” que escreveram um dos seus mais belos e importantes capítulos, sejam recordados como aqueles que abriram as portas da liberdade e da independência.



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